O que acontece nos bastidores antes de uma landing page começar a ser desenvolvida
Antes do design e do código, uma landing page exige decisões importantes. Conheça as análises e definições que ajudam a orientar seu desenvolvimento.
Thiago Milani · 20 out 2026 · 15 min de leitura

Quando uma empresa contrata o desenvolvimento de uma landing page, é natural imaginar que o trabalho começará pela escolha das cores, pela organização dos elementos ou pela programação. Afinal, essas são as partes mais visíveis do resultado.
Mas existem decisões importantes que precisam ser tomadas antes de qualquer tela ficar pronta.
O que a empresa deseja alcançar? Quem deve visitar a página? Qual oferta será apresentada? Que informações precisam estar disponíveis para ajudar o visitante a decidir? E o que deverá acontecer depois que alguém entrar em contato?
Responder a essas perguntas faz parte de um trabalho que muitas vezes passa despercebido por quem contrata o serviço.
Antes de começar o desenvolvimento de uma landing page, é importante compreender o negócio, definir o objetivo da página, investigar as necessidades do público, organizar a oferta e avaliar os requisitos do projeto. Essa preparação orienta as escolhas de conteúdo, design, tecnologia e conversão.
Ela não precisa ser complexa em todos os casos, mas deve ser suficiente para evitar decisões baseadas apenas em preferências visuais ou suposições.
Por que o desenvolvimento não deveria começar pelo layout?
Imagine uma empresa que deseja uma landing page moderna, com animações, imagens marcantes e um formulário de contato.
Essas características podem contribuir para a apresentação da página, mas ainda não respondem a uma questão fundamental: o que fará alguém considerar o serviço anunciado?
Se o visitante não compreender claramente a oferta, reconhecer sua necessidade ou encontrar informações suficientes para decidir, a aparência da página dificilmente resolverá essas dificuldades sozinha.
Por isso, antes de determinar como a página será apresentada, é necessário compreender o que ela precisa comunicar e realizar.
Essa lógica é consistente com a fase de descoberta, ou discovery, utilizada em projetos de experiência do usuário. O objetivo dessa etapa é investigar o problema, compreender as pessoas envolvidas e reunir informações que ajudem a orientar a solução.
Em um projeto de landing page, isso não significa necessariamente realizar semanas de pesquisa ou produzir documentos extensos. Uma página simples para um serviço bem definido pode exigir uma preparação relativamente enxuta.
Já uma oferta complexa, destinada a diferentes públicos ou integrada a processos comerciais específicos, pode exigir uma investigação mais aprofundada.
O importante é não confundir começar rapidamente com começar sem direção.
1. Compreender o objetivo real do negócio
O primeiro trabalho é descobrir o que a empresa espera alcançar.
Frequentemente, a solicitação inicial é genérica: "Quero uma landing page para conseguir mais clientes".
Embora legítima, essa intenção ainda precisa ser traduzida em um objetivo concreto.
A empresa deseja receber solicitações de orçamento? Agendar avaliações? Captar inscrições? Apresentar uma nova oferta? Facilitar o contato com possíveis compradores?
Essas situações exigem decisões diferentes.
Uma clínica que pretende agendar consultas pode precisar apresentar especialidades, informações relevantes sobre o atendimento e um caminho simples para o agendamento.
Uma empresa que oferece soluções personalizadas talvez precise explicar seu processo de trabalho e incentivar uma conversa inicial antes de apresentar valores.
Já um negócio com um produto de compra direta pode precisar de uma página que apresente condições comerciais e encaminhe o visitante ao checkout.
A definição do objetivo influencia o conteúdo, a chamada para ação e até os recursos técnicos necessários.
O projeto precisa começar pelo resultado comercial esperado, não pela escolha dos componentes visuais.
Também é importante avaliar se a landing page é realmente a solução adequada. Em alguns casos, melhorar uma página existente ou corrigir falhas no atendimento pode fazer mais sentido do que desenvolver outra página.
2. Investigar quem deverá visitar a página
Conhecer o público não significa apenas definir uma faixa etária ou uma localização geográfica.
É necessário compreender, na medida do possível, o que essas pessoas procuram, quais dificuldades enfrentam e o que precisam saber antes de considerar uma ação.
Imagine uma empresa que oferece manutenção de equipamentos para outros negócios.
Um gestor responsável por contratar o serviço pode estar preocupado com a interrupção das operações, o prazo de atendimento e a capacidade técnica da empresa contratada.
Nesse contexto, começar a página com uma apresentação genérica sobre inovação e excelência talvez não responda às dúvidas mais importantes.
Uma comunicação voltada ao público correto pode precisar destacar os tipos de equipamento atendidos, a disponibilidade do serviço, as condições de atendimento e informações que sustentem a credibilidade da empresa.
Esse entendimento pode surgir de diferentes fontes:
- Dúvidas recebidas com frequência pela equipe comercial.
- Perguntas feitas antes da contratação.
- Objeções que aparecem em conversas com potenciais clientes.
- Informações já disponíveis em pesquisas ou atendimentos anteriores.
- Avaliações de clientes, quando relevantes e legítimas.
- Dados de páginas ou campanhas existentes, caso estejam disponíveis.
Nem sempre haverá informações suficientes para validar todas as hipóteses. Nesses casos, é importante registrar o que já se conhece e o que ainda precisa ser investigado, em vez de tratar suposições como fatos.
O objetivo dessa análise é orientar a comunicação para necessidades reais.
3. Examinar a oferta antes de pensar na apresentação
Uma landing page pode ser tecnicamente bem construída e ainda apresentar uma oferta pouco compreensível.
Por isso, parte da preparação consiste em examinar aquilo que será divulgado.
O serviço possui um escopo definido? Há condições importantes? A empresa atende determinada região? Existem requisitos para contratação? O preço é fixo ou depende de avaliação?
Essas informações precisam estar claras antes de organizar os argumentos da página.
Diferenciar características de benefícios
Uma empresa de suporte técnico pode informar que oferece monitoramento remoto. Essa é uma característica do serviço.
Para o potencial cliente, porém, talvez seja mais importante compreender o que esse monitoramento permite identificar, como funciona o atendimento e quais limitações existem.
A preparação editorial procura relacionar as características da oferta às necessidades do público sem exagerar seus efeitos.
Também é necessário verificar quais promessas podem ser sustentadas.
Expressões como "resultado garantido", "o melhor serviço" ou "atendimento imediato" não deveriam ser utilizadas apenas porque parecem persuasivas.
Se a empresa não consegue comprovar uma afirmação ou cumprir determinada condição, a comunicação precisa ser ajustada.
Identificar lacunas na proposta
Em alguns projetos, essa análise revela que a empresa ainda não definiu informações essenciais.
Por exemplo, pode não estar claro:
- Quais serviços estão efetivamente incluídos.
- Para quais clientes a oferta é indicada.
- O que diferencia as modalidades disponíveis.
- Como ocorre o atendimento após a solicitação.
- Quais condições precisam ser esclarecidas antes da contratação.
Nessas situações, desenvolver o layout imediatamente pode antecipar decisões que ainda dependem do próprio negócio.
Uma boa preparação ajuda a identificar essas lacunas antes que elas se transformem em problemas de comunicação.
4. Entender como o visitante chegará à landing page
A origem do tráfego influencia a expectativa de quem chega à página.
Uma pessoa que pesquisa por um serviço específico pode estar tentando resolver uma necessidade imediata. Já alguém que encontra a empresa por meio de um conteúdo nas redes sociais talvez esteja apenas conhecendo a solução.
O visitante também pode chegar por indicação, e-mail, mecanismos de busca ou campanhas pagas.
Essas diferenças não exigem necessariamente uma página para cada canal, mas devem ser consideradas na preparação do conteúdo.
Se houver anúncios planejados, é importante compreender quais ofertas serão divulgadas e que expectativas suas mensagens poderão criar.
Se a estratégia depender de tráfego orgânico, será necessário considerar a intenção de busca, a utilidade do conteúdo e a organização das informações que o visitante procura.
Em ambos os casos, a página deve oferecer continuidade à necessidade que motivou o acesso.
Uma decisão importante nos bastidores é identificar o que o visitante provavelmente já sabe antes de chegar e o que ainda precisa descobrir para avançar.
Essa análise ajuda a determinar o nível de explicação necessário, a prioridade das informações e a forma de apresentar a próxima ação.
5. Organizar as informações que a página precisará apresentar
Depois de compreender o negócio, o público e a oferta, começa a surgir uma direção para o conteúdo.
Ainda não é necessário decidir cada cor, espaçamento ou detalhe do layout.
O primeiro passo pode ser organizar as informações por prioridade.
Considere uma landing page para um serviço de reforma residencial.
O visitante talvez precise identificar rapidamente quais tipos de reforma são realizados, em que região a empresa atende e como funciona a solicitação de orçamento.
Outras informações, como etapas do serviço, exemplos de trabalhos e esclarecimentos sobre o atendimento, podem aparecer ao longo da página.
A ordem deve acompanhar a necessidade de compreensão e decisão do público.
Nem toda informação precisa ter o mesmo destaque
Uma empresa pode desejar apresentar sua história, todos os serviços, a missão institucional, os diferenciais, os depoimentos e diversos canais de contato.
Mas nem tudo precisa receber o mesmo peso.
Uma landing page normalmente exige uma hierarquia de conteúdo que favoreça seu objetivo principal.
Isso envolve decidir quais informações:
- Precisam ser reconhecidas rapidamente.
- Ajudam a compreender a proposta.
- Reduzem dúvidas ou inseguranças.
- Sustentam a credibilidade da empresa.
- Orientam o visitante para o próximo passo.
Essa organização antecede muitas decisões visuais. O design posteriormente ajudará a comunicar a hierarquia estabelecida.
6. Verificar os materiais disponíveis e o que ainda falta produzir
Outra atividade pouco visível é identificar os recursos que serão necessários.
A empresa já possui logotipo em boa qualidade? Há fotografias próprias adequadas? Existem descrições atualizadas dos serviços? Os depoimentos têm autorização para utilização? As condições comerciais estão definidas?
A ausência desses materiais pode alterar a abordagem do projeto.
Uma página que depende de fotografias profissionais, por exemplo, não deve ser planejada como se esse material já estivesse disponível.
Da mesma forma, não é apropriado preencher lacunas com depoimentos fictícios, números inventados ou imagens que representem falsamente instalações e clientes reais.
Também é necessário considerar a produção do texto.
O cliente pode fornecer informações técnicas e comerciais, enquanto a organização e a redação do conteúdo exigem outro tipo de trabalho.
Definir essas necessidades antecipadamente facilita o alinhamento sobre o que será fornecido, produzido ou revisado.
7. Identificar os requisitos técnicos antes da implementação
Nem toda landing page precisa da mesma infraestrutura.
Algumas utilizam um botão que direciona para o WhatsApp. Outras precisam de formulários, integrações com sistemas de atendimento, ferramentas de analytics ou recursos específicos.
Antes de começar o desenvolvimento, vale investigar o que realmente será necessário.
Uma empresa que pretende receber solicitações por formulário, por exemplo, precisa decidir para onde os dados serão enviados e quem terá acesso a eles.
Se os contatos devem entrar em um CRM, é importante conhecer os requisitos da integração.
Também podem existir necessidades relacionadas a domínio, hospedagem, idiomas, acessibilidade, segurança e tratamento de dados pessoais.
O objetivo dessa etapa não é escolher automaticamente a tecnologia mais sofisticada.
É compreender os requisitos antes de decidir qual solução técnica será proporcional ao projeto.
Uma página simples não precisa se tornar uma aplicação complexa sem justificativa. Por outro lado, economizar etapas essenciais de segurança ou funcionamento pode criar riscos desnecessários.
Pensar na privacidade desde o planejamento
Se a landing page coletará informações pessoais, a finalidade dessa coleta e o tratamento dos dados precisam ser considerados desde o início.
A quantidade de informações solicitadas deve ser compatível com o objetivo do contato.
Também pode ser necessário avaliar avisos de privacidade, mecanismos de consentimento e o funcionamento de ferramentas de terceiros, conforme as exigências aplicáveis.
Essas decisões não deveriam ser tratadas apenas como detalhes acrescentados no momento da publicação.
8. Definir o que será considerado uma conversão
Antes de programar eventos ou instalar ferramentas de mensuração, é importante estabelecer qual ação representa o objetivo da página.
Parece simples, mas diferentes eventos podem indicar coisas muito distintas.
Considere uma landing page com um botão de WhatsApp.
É possível registrar que alguém clicou nesse botão. Contudo, o clique não comprova que a pessoa enviou uma mensagem, que a empresa recebeu o contato ou que surgiu uma oportunidade comercial.
Da mesma forma, abrir um formulário não é equivalente a enviá-lo com sucesso.
Por isso, a definição inicial precisa distinguir a ação realizada na página do resultado comercial esperado.
Algumas questões devem ser esclarecidas:
- Qual é a conversão principal?
- O que é possível acompanhar tecnicamente?
- Como será verificado o recebimento dos contatos?
- Existe uma forma de avaliar a qualidade das oportunidades?
- Quem acompanhará os resultados depois da publicação?
Nem todas essas respostas precisam estar completamente resolvidas antes do desenvolvimento, mas identificá-las ajuda a evitar uma implementação incompatível com os objetivos da empresa.
9. Avaliar restrições e riscos antes de assumir uma solução
Um projeto também precisa considerar suas limitações.
Orçamento, disponibilidade de conteúdo, integrações, recursos existentes e exigências específicas podem influenciar o que é viável desenvolver.
Imagine uma landing page que deverá permitir o agendamento automático de atendimentos.
Essa funcionalidade depende de informações que vão além da interface: horários disponíveis, regras de atendimento, confirmação de reservas e integração com a agenda utilizada pela empresa.
Se essas condições não foram investigadas, uma função aparentemente simples pode envolver um trabalho muito maior do que o previsto inicialmente.
Outras dificuldades podem surgir quando o projeto depende de aprovações, acesso a serviços externos ou materiais que ainda não existem.
Identificar essas dependências não elimina os imprevistos, mas permite tomar decisões mais conscientes.
Em alguns casos, a melhor alternativa pode ser simplificar uma funcionalidade, ajustar o escopo ou dividir a implementação em etapas.
O planejamento deve ajudar a encontrar uma solução viável, não apenas a imaginar a página ideal sem considerar as condições reais.
O que costuma existir ao final dessa preparação?
O resultado não precisa ser um documento extenso.
Em projetos menores, um conjunto de decisões bem registradas pode ser suficiente para iniciar o trabalho com clareza. Em projetos mais complexos, a documentação provavelmente precisará ser mais detalhada.
De modo geral, é útil ter uma definição inicial sobre:
| Aspecto | O que deve estar suficientemente claro |
|---|---|
| Objetivo | Qual ação a página deverá incentivar |
| Público | Quem se pretende alcançar e quais dúvidas são relevantes |
| Oferta | O que será apresentado e quais condições precisam ser explicadas |
| Conteúdo | Quais informações são prioritárias e quais materiais estão disponíveis |
| Conversão | Qual será o próximo passo do visitante |
| Tecnologia | Quais funcionalidades, integrações e restrições existem |
| Mensuração | O que poderá ser acompanhado e quais resultados importam |
| Pendências | Quais decisões ou materiais ainda dependem de confirmação |
Essa preparação oferece uma referência para as próximas etapas, como redação, design, desenvolvimento e testes.
Ela também ajuda a separar fatos confirmados de hipóteses que precisarão ser avaliadas posteriormente.
Toda landing page exige uma fase extensa de planejamento?
Não.
O esforço de preparação deve ser proporcional à complexidade e à incerteza do projeto.
Uma landing page para divulgar um serviço conhecido, com público definido, conteúdo disponível e contato via WhatsApp, pode exigir relativamente poucas decisões adicionais.
Já uma página destinada a diferentes públicos, com integrações e processos comerciais mais elaborados, pode demandar uma investigação maior.
Também existem situações em que a empresa já possui pesquisas, dados e definições anteriores que podem ser aproveitados.
O importante não é cumprir uma quantidade fixa de reuniões ou produzir documentos apenas por formalidade.
É chegar ao desenvolvimento com clareza suficiente para tomar decisões fundamentadas.
Planejamento excessivo pode consumir tempo sem acrescentar valor. Planejamento insuficiente, por sua vez, pode levar à implementação de uma página que não corresponde às necessidades do negócio.
O equilíbrio depende do contexto.
Por que esse trabalho importa para quem contrata?
Para o cliente, boa parte dessa preparação pode parecer menos tangível do que receber uma imagem do layout ou acessar uma versão funcional da página.
Mesmo assim, ela contribui para aspectos importantes da contratação.
Ao identificar requisitos e pendências antecipadamente, fica mais fácil compreender o que será desenvolvido e o que dependerá de informações ou serviços adicionais.
Ao definir a oferta e o público, torna-se possível avaliar se o conteúdo planejado realmente atende às necessidades da campanha.
E, ao esclarecer o objetivo da conversão, a empresa passa a ter uma referência mais adequada para acompanhar o funcionamento da página depois da publicação.
Isso não significa que um processo bem planejado produzirá necessariamente mais vendas ou eliminará revisões.
Significa que as decisões passam a ter justificativas mais claras e que problemas previsíveis podem ser identificados antes de se transformarem em retrabalho.
Para quem está contratando, compreender essa etapa também ajuda a avaliar propostas que parecem semelhantes apenas porque prometem entregar uma página visualmente atraente.
Uma landing page começa antes da primeira linha de código
O desenvolvimento de uma landing page envolve muito mais do que transformar um layout em uma página funcional.
Antes disso, existe um conjunto de decisões sobre o negócio, o público, a oferta, as informações necessárias e a experiência que será oferecida ao visitante.
Nem todos os projetos exigem pesquisas aprofundadas ou processos complexos. Mas todos se beneficiam de objetivos claros e requisitos compreendidos.
A qualidade dessa preparação não pode ser medida apenas pelo volume de documentos produzidos. Seu valor está em orientar escolhas que façam sentido para a necessidade real.
Uma landing page bem planejada não começa pela pergunta "como ela deve parecer?", mas pela compreensão do que precisa comunicar, para quem e com qual finalidade.
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